Rascunho

Rascunho - Fanfic - Conflitos



Nome da Fic: Conflitos
Autora: Eu
Meu  e-mail: MariaCamilleRinaldi
Descrição:  Lua Blanco, Fisioterapeuta  com uma filha para criar e um casamento em crise. Após se separar do marido, Lua pede ajuda para um amigo que não vê a muitos anos. O que ela não sabe é que ele tambem tem uma filha e é casado. A amizade pode ultrapassar barreiras e fazer com que outras pessoas sofram?
Categoria:  LuAr 
Gênero:  Romance,Drama .
Classificação: Restrito
Observação: Uso de palavrão, cenas detalhadas de sexo, violência contra menores.
Em andamento 






    Olá, sou Lua Mª Blanco Falcone ,resido na cidade de Butaphurt,norte de Constine,tenho 25 anos e atualmente moro com meu marido Bernardo em um apartamento confortavel onde o sol diariamente invade a janela da sala e nos trás consigo o cheiro da maresia.
Tenho uma filha de 5 anos, Manuelle, indepedente, amorosa e esperta, assim como a mãe. E claro, linda. Fazemos tudo juntas, e compartilhamos todas nossas idéias. Ela têm o gênio forte, por isso tenho que ir com calma. Mas apesar disso, Manuelle é educada e sabe respeitar a individualidade dos outros. Sou fisioterapeuta, trabalho no Hodefi, meu marido tambêm é médico, clinico geral. A vista de todos somos a familia perfeita, aquelas que aparecem em propagandas de manteigas e leites, mas vivemos em meio a brigas,gritos e desentendimentos.
    Hoje fazemos 4 anos de casados, sim, me uni a Bernardo por obrigação, já que meus pais não admitiriam ter uma filha gravida e sem um marido. No começo achei que poderia cuidar de Manuelle sozinha, mas depois percebi que precisava de ajuda financeira, estava fazendo minha faculdade e não podia parar tudo.  Bernardo não é o pai biológico da Manu, ela foi consequencia de uma das noites malucas em que Sophia me arrastou para uma festa e me embebedou. Mas o bê era loucamente apaixonado por mim e disse que assumiria a criança. Aceitei.O problema é que tudo virou de ponta cabeça depois que a familia dele descobriu nosso acordo. Agora vivem colocando defeito no nosso casamento, e a mãe dele perceptivelmente me odeia. Mesmo bê sendo um homem bom, é influenciavel e claro, isso trouxe conflitos para a nossa relação que ultimamente se encontra por um fio.




  Duas horas da manhã e nem sinal de Bernardo, eu continuava com meu vestido preto e celular nas mãos, os saltos já haviam sido abandonados em um canto da sala. Me levantei impaciente e fui até o quarto de Manuelle, a pequena dormia agarrada a um ursinho azul, o cobertor estava na metade de seu corpo. Entrei e alisei as costa dela e pude sentir sua respiração calma, o pijama branco de bolinhas rosas dava-lhe um ar de bêbê. Puxei o cobertor até seu torax e lhe beijei o topo da cabeça. Fui até a janela fechar a cortina lilás e apaguei o abajour, saindo em seguida do quarto.
  Voltei para a sala e esperei por mais meia hora até o sono se fazer presente e dormi ali mesmo. Mais uma vez Bernardo passou a noite fora.


...


 -Vamos Manuelle, se levante meu amor.
 -Não mamãe, só mais um pouquinho.
 -Manu meu bem, você vai se atrasar. - Abri as cortinas e voltei para o banheiro para terminar minha maquiagem. As olheiras continuavam fortes, denunciando a noite mal dormida. Olhei para a cama e vi Bernardo esparramado,senti ódio. Certamente ele havia chegado logo após eu ter dormido.
 -Mamãe, posso ir com esta roupa? Por favor, por favor. - Me virei e vi Manuelle parada na porta do quarto carregando um lençol em uma das mãos e um vestido azul na outra.
 -Nan nan ni nan não mocinha, você tem que usar o uniforme. Já conversamos sobre isto.
 -Mas o uniforme daquela escola é muito feio, eu não vou usa-lo. -Fez bico
 -Você vai sim. -Certamente Sophia deveria ter lhe falado alguma coisa sobre aquilo. Ela vivia enchendo a cabeça da minha filha com estas besteiras. Peguei Manuelle no colo e a levei até seu quarto,parando em frente ao grande guarda roupa branco e abrindo uma das portas pegando o pequeno uniforme. - Tome um banho rapidinho para dar tempo de tomar café. - Bati em seu bumbum e ela seguiu para o banheiro emburrada largando o lençol pelo caminho.
    A empregada já havia deixado a mesa do café da manhã pronta, prendi o cabelo em um coque mal feito e sentei para comer.Após umas fatias de torradas e um gole de suco vi Manuelle vindo já vestida e com um pente nas mãos.
  -Mamãe, não consigo - Reclamou enquanto afundava o pente nos fios e tentava frustradamente escorregar o objeto pelos cabelos. Ri, este era um problema que havia me acompanhado por todos os dias da minha vida, ter cabelos cacheados não era facil. Sorte de Manuelle que o desconhecido pai certamente possuia cabelos lisos fazendo com que ela nascesse com fios ralos . Penteei-os com cuidado e prendi-os em um rabo de cavalo no topo da cabeça.
 -Onde está a tiara que sua tia Sophia lhe deu ? -A lembrei enquanto ela descia do meu colo.
 -Ah! É mesmo, quase me esqueci - Correu para o quarto e voltou com o objeto roxo na cabeça. - Agora sim estou linda não é ?
 -É filha- Ri- Você está linda.
  Ela se sentou na cadeira do lado e comeu o cereal que estava na tigela,enquanto eu pegava a bolsa e verificava se estava tudo em ordem. Um tempo depois peguei as chaves do carro e passei uma ultima vez no meu quarto para me certificar se Bernardo ainda dormia,e sim, isto foi confirmado.
 -Vamos Manu, pegue sua mochila.




  Descemos os 7 andares  e entramos no carro que estava no estacionamento. A pequena foi no banco de trás.
 -Mãe, coloca Avril ?
 -Avril ? - Gargalhei.- Onde você ouviu isso ?
 -Eu li as capas dos CDs que estão no seu quarto mamãe. Já sou grande  e sei ler.
 -Quantas vezes já falei para você não abrir as portas do meu armario sem minha permissão ?
 -Por que ? Tem alguma coisa que eu não possa ver ?
  Ri novamente.
 -Coisas de adulto e também é falta de educação.
 -Eu sou adulta.
 -Adultos não chupam chupeta. - Falei enquanto ,pelo retrovisor, vi ela esconder o objeto atrás de si.
 -Eu não chupo mais.Você vai colocar ?
 -Tem Kelly Key amor, você encheu o saco atrás desse CD.
 -Não, mas eu gostava só quando era pequenininha. Agora gosto de Avril.
 -Ok - Coloquei o CD dentro do aparelho e esperei a primeira faixa começar a tocar. Manuelle atrás, balançava a cabeça no ritmo da canção. Tambem comecei a cantarolar a música.


...


 -Tchau filha. Vem aqui dar um beijo em mim.
 -Ah não mãe.
 -Owh, minha nenem não quer mais dar um beijinho em mim ? Vou chorar o dia todo.
 -Tá, tá. Mas que seja só dessa vez . Crianças adultas não podem ficar beijando as mamães na frente do colégio. - Falou me fazendo soltar uma gargalhada gostosa.
 -Tudo bem meu amor,seu pai vem te buscar mais tarde. Te amo.
 -Tambem te amo mamãe.


  Cheguei no hospital e  passei pela recepção. Coloquei o jaléco branco e peguei as fichas dos pacientes com Juliana.
 -Nossa Lua, o que aconteceu com voce ? - Ju
 -Sobre o que está falando ?
 -Essas olheiras ai. - Falou enquanto apontava para o local indicado.
 -Há, isto ? Nem te conto.
 -Tenho todo tempo do mundo para ouvir.
 -Mas eu não tenho para contar Juzinha, tenho paciente para daqui a 30 minutos, passe na minha sala quando eu encontrar um tempinho.
 -Tudo bem Dra. Lua.
 -Ah Juliana, não fale assim, antes de profissionais somos amigas, mas é que tenho pacientes, não posso deixa-los esperando.
 -Tudo bem Lu, eu entendo.
   Dei um sorriso para ela e segui para meu consultório.
  Atendi três pacientes, e o quarto não me surpreendeu. A mulher que entrou na sala já era uma velha conhecida minha. E sempre marcava consultas.
 -Sophia, você está aqui de  novo ?
 -Claro, to morrendo de saudade de você amiga, mas para falar contigo só marcando hora, literalmente.
 -Você deveria arrumar um emprego tambem Soh.
 -Eu não, tô muito bem com o cartão de crédito do 'papi', mas então, não tive o trabalho de marcar uma consulta com você para ficar falando da minha vida. E ai, como foi o aniversario de casamento ? Pelo que da para perceber, você aproveitou muito en, tá até meio cansada.
 -Hum, se eu te contar o que aconteceu, você nem acredita.
 -Conta.
 -Bom, o que aconteceu é que - Pausei para dar mais peso e suspense a frase - Nada aconteceu.Passei a noite toda esperando Bernardo, mas foi tudo em vão, porque ele resolveu aproveitar a noite sem mim,chegou de madrugada e ainda teve a capacidade de dormir sozinho na cama.Eu sinceramente não sei mais o que estou fazendo casada com ele.
 -Você não o ama? Pensei que houvesse aprendido com o tempo.
 -Não Soh, eu não o amo, ele não me completa em nenhum sentido, não me entende mais, não me escuta,não me da atenção.Eu sinceramente não vejo outra saida a não ser me separar dele.
 -Nossa amiga,  a coisa está feia.Por que não resolvem os problemas entre lençóis ?
 -Hum, lençóis ? -Ri irônica-  Entre nós não rola mais lençóis, nem no banheiro, quarto, sala, em canto nenhum, ele nem segura minha mão.
 -Caramba Lua, quem olha a familia Falcone jamais diz que vocês estão passando por uma crise.
 -Pois é Soh, vivemos de aparência.
 -E a Manu ?
 -Bom, sempre discutimos quando ela já está dormindo, tentamos poupa-la de todo o transtorno.
 -Que bom amiga, espero que tudo melhore.
 -Eu tambem Soh. -Balancei a cabeça. Ouvi batidas na sala e pedi para entrar, era Melanie com uma folha nas mãos.
 -Com licença doutora, acabou de chegar um fax para a senhora,da direção. Deixarei em cima da mesa.
 -Obrigada Juliana.
  Esperei ela sair da sala e peguei a folha,passando os olhos rapidamente pelas palavras.
 -Sophia, você não sabe.
 -Ai meu Deus, o que?
 -Saiu a vaga no hospital de Lavinie.
 -Não acredito, que maximo amiga.
 -Pois é, esperei muito tempo por isso-Larguei a folha- Mas acho que não vai rolar, Bernardo trabalha aqui,não vai largar tudo.
 -Até tinha esquecido disso,que pena.
 -Eu que o diga.

...

   Sai do hospital já eram 22:00, estava morrendo de fome e doida para chegar em casa. O trânsito estava relativamente calmo.Não demorei mais que 20 minutos. Estacionei o carro e subi pelo elevador, anciosa para ver minha pimpolha, claro. 
 -Manu amor, cheguei.
  Mas  a casa estava silenciosa, coisa que era impossivel acontecer quando Manuella estava presente. Fui até seu quarto e lá só o que se encontravam eram  as coisas dela, tudo como eu havia deixado. Me direcionei até a suite , e lá pude notar Bernardo ainda deitado,roncando. Sim ,ele havia esquecido de buscar nossa filha. Sem nem me preocupar em acorda-lo ,peguei novamente a chave e sai correndo pela porta, temendo não encontrar Manu no colégio.
 -Desgraçado, quando eu voltar ele vai ouvir poucas  e boas. -Falei para mim mesma enquanto abria a porta do veiculo bruscamente.
  Cheguei no colégio em 15 minutos e corri para tentar acha-la. Os alunos do 3° ano do ensino médio estavam largando e isso dificultava ainda mais minha busca, merda. 
 -Com licença, deixe-me passar - Falava agitada enquanto me desvencilha dos adolescentes.     Cheguei na diretoria, mas já estava tudo fechado.Praguejei novamente. Um subito medo começou a tomar conta de mim e senti meus olhos marejarem. Onde estava minha pequena ?
 -Manuelle! Manuelle! - gritei desesperadamente.
  E quando já pegava meu celular para pedir a ajuda da policia, vi minha menina vindo de mãos dadas com uma garota que vestia o mesmo uniforme que ela, mais em tamanho maior.
 -Meu Deus Manu, você está bem? - Limpei uma lagrima que descia dos meus olhos. - Senti tanto medo minha baixinha.
 -Ai Mãe, você está me apertando.
 -Esta é sua mãe Manu ? - A garota que estava ao seu lado falou.
 -É sim Mari - Manuelle respondeu enquanto tentava se afastar do meu abraço.
  Larguei-a , mas continuei segurando fortemente sua mão.
 -Qual o seu nome? Onde estava com minha filha? Por que não  a levou para mim ? Faz quanto tempo que ela não come?- Zilhões de perguntas corriam pela minha mente,mesmo tendo encontrado-a ainda estava nervosa.
 -Se acalme senhora, me chamo Marisol, estudo aqui de noite, mas vim fazer um trabalho mais cedo e precisei utilizar a biblioteca , encontrei Manuelle sentada na calçada,esperando pelo pai, entrei, fiz o trabalho, e quando sai ela continuava no mesmo local, achei melhor leva-la para casa. Minha mãe trabalha,então não a viu, quando deu a  hora de vir para o colégio, coloquei o uniforme apenas para disfarçar, e fomos para o Shopping, caso eu não encontrasse ninguem aqui agora, entregaria-a para a policia.Ela está bem, comeu, e é muito graciosa.
  -A Mari me pagou um sorvete mamãe.
 Soltei um suspiro.
 -Muito obrigada Marisol, serei eternamente grata,como posso lhe pagar ?
 -Imagina, foi um prazer cuidar dela - Apontou para Manu com a cabeça - É um amor de menina, claro, tivemos alguns problemas,mas deu tudo certo.
 -Que tipos de problemas ? -Me preocupei de novo.
 - Bom, Manuelle é bem sincera, e disse para algumas pessoas da loja em que fomos, que as roupas eram horriveis.
   Aliviei a mente,ainda bem que estes problemas eram típicos dela.
 -Ela é terrivel. Bom, muito obrigada de novo Marisol, tenho que leva-la para casa, boa noite.
 - Boa noite. Tchau Manu.
 - Tchaau! - balançou as maozinhas no ar enquanto eu a colocava no carro e  dava partida.
  Eu estava parcialmente controlada, não gostava de chorar na frente da minha filha ou de qualquer outra pessoa.Tinha uma necessidade inexplicavel de demonstrar força, quando na verdade eu era uma das mulheres mais frageis do mundo. No caminho, pensei seriamente no que faria, de fato, o esquecimento de Manuelle havia sido o estopim para  a separação.
 -Vem,vamos subir amor. - Falei enquanto clicava nos botões do elevador espelhado. Olhei meu reflexo e me deparei com uma Lua sem vida, cansada e deprimida. Meus olhos continuavam molhados, ameaçando transbordarem a qualquer minuto. Abaixei a vista e vi  minha filha, a unica que me dava forças para continuar lutando por tudo. Ela parecia minha cópia, os cabelos loiros presos em um rabo de  cavalo agora frouxo.A carinha de sono, as botinhas pretas nos pés, realmente, era uma Lua mirim.Desde que descobri que estava gravida, jamais havia passado na minha mente abortar, enfrentaria tudo e todos para ter meu bêbê.




~Flash back On~


 -Ai meu Deus, não pode dar positivo,não pode dar positivo,não pode dar positivo.. -Repetia para mim mesma enquanto observava o palitinho dentro de um copo, na minha frente.
 -Calma Lua, não vai dar positivo. -Sophia tentava me acalmar,claro, em vão.
  Ficamos ali, em meio ao quarto de cores claras, olhando para um palito que  definiria minha vida. A chuva na parte externa deixava o clima ainda mais propicio para as emoções transbordarem. E vagarosamente aquele pequeno acumulo de atomos começou a mudar de cor, sim, eu estava gravida e  perdida.
 -Não acredito, o que vai ser de mim agora ? - Coloquei as mãos em frente a  minha cabeça enquanto chorava.
 -Ai amiga, é tudo culpa minha, me perdoa, eu não deveria ter te levado.
 -Não Sophia -Olhei para ela- A culpa não é sua,você não tem nada  a ver com isso. Mas agora o que eu vou fazer com uma criança no mundo ?
 -Você já é maior de idade, não terá problemas com seus pais.
 -Jura? Eu tenho só 19 anos, o que vou falar para eles? Oi pai, oi mãe, sai para uma festa e voltei gravida.
 -É.
 -Você está louca ? -Falei entre soluços. - Eu nem sei quem é o pai. Minha vida acabou Sophia, eu quero morrer.
 -Lua, se isto vai atrapalhar tanto sua vida, então por que você não..- Parou a frase.
 -Aborto ? Nunca, esta criança é a unica totalmente inocente nisto tudo, ela não tem culpa se tem uma mãe burra que não consegue controlar os próprios hormonios.Vou ama-la independente de ter ou não o  apoio de alguem. Seremos só eu e meu bêbê no mundo. -     Enxuguei as lagrimas.


Flash back OFF


 -Manuella vai para seu quarto e  tranque a porta.
 -Mas mamãe.
 -Sem 'mas' , vai agora !
  Saiu arrastando a  mochila de carrinho pelo apartamente enquanto eu me  dirigia até a suite.Entrei, Bernardo estava no banheiro.
 -Bernardo, precisamos conversar. -Abri a porta e o vi enrolado em uma toalha.
 - Têm que ser agora ?
 - Tinha que já ter sido a muito tempo. Temos que resolver nossa situação.
 -Que situação ?
 -Bom, a começar por; Você esqueceu de buscar a Manuelle no colégio.
 -Não esqueci Lua, eu não quis ir buscar mesmo. Ela não é minha filha, não tem porquê eu me preocupar com ela, isto é problema seu.
 -Agora é assim ? - Alterei um pouco a voz- A meses atrás você a tratava como se ela fosse.Tinhamos um acordo Bernardo, o que aconteceu com ele ?
 -Ficou para trás, assim como tambem ficou para trás seus principios.
 -Cale a boca , você não sabe o que diz.
 -Sei Lua, sei sim, você é uma dessas mulheres faceis que se encontra em todos os lugares,se você pôde engravidar em uma noite em que estava bebada, imagina o que não fazia em todas as outras.
 Minha raiva já havia tomado conta de mim, quem era ele para me falar quem eu era ou deixava de ser? Desde o começo ele sabia que ela não era sua filha. Até porque antes do meu casamento com Bernardo, nunca haviamos ido para  cama. Eu não estava entendendo a mudança repentina de comportamento dele.
 -Isso deve ser coisa da sua mãe - Sai do banheiro e fui para a cozinha.
 -Não coloque minha mãe no meio. - Veio atrás - Ao contrario de você, ela deu para os filho a chance de conhecer o pai. Você é uma vagabunda Lua Blanco.
 -A mamãe não é isto não. - Manuelle apareceu no outro canto da sala,ainda de uniforme.
 -Manu, mandei você ir para o quarto.
 -Não Lua, deixe ela aqui, ela não se acha tão adulta? Então está na hora de ouvir algumas verdades. - Se virou para Manuelle - Você não sabe a mãe que tem garota. Se soubesse sentiria vergonha.
 -Para papai - Começou a chorar enquanto eu corria até ela e a colocava nos braços.
 -Não me chame de pai - Continuou falando enquanto eu ia para o quarto da pequena - Não sou seu pai, você não têm um pai. Sua mãe não teve capacidade nem para isto. Se deitou com o primeiro que viu.
 -Cale a Boca Bernardo. Ela é uma criança. - Coloquei Manuelle no chão, mas ela continuou agarrada em minhas pernas, com medo da furia de Bernardo.
 -Está na hora de dar um choque de realidade na cabeça dela.Vocês duas não são ninguem sem mim, não tem história,e meu sobrenome não deveria estar no seu documento. - Apontou para a menina enquanto eu jogava algumas roupas dela dentro de uma mala. - Você nunca me amou Lua, não sei como consegui ficar enfeitiçado  tanto tempo por alguem sem valor como você.
 -Escuta Bernardo - Me direcionei a ele - Se o problema sou eu, não se preocupe, estou saindo da sua vida, se acha que as mulheres com quem você anda são melhores, fique com elas. Minha filha não têm necessidade de ouvir isso de você. Fique com a  louca da sua mãe, foi ela quem te deixou assim.
   Junto com minhas palavras que ainda ecoavam dentro do quarto de Manuelle ouvi o som do tapa que recebi na face. Passei a mão no canto da boca e pude sentir um pouco de sangue. O que já era de se esperar, pois Bernardo era um homem forte, já eu, apesar dos 25, parecia que nunca havia saido dos 19 .
  Manuelle olhou assustada para mim e começou a chorar ainda mais desesperada.
 -Nunca mais encoste a mão em mim Bernardo - Falei enquanto saia pela porta com a malinha em uma mão e a menina na outra. Peguei a chave e o celular e sai por aquela porta com minha pequena, para nunca mais voltar.







 -Para onde estamos indo mamãe ?
 -Não sei amor, vou passar na casa da tia Sophia para que ela me ajude.
 -Você não sabe o que fazer não é ?
 -É pequena, eu estou meio perdida.
 -Igual quando eu me perco no parque ?
 -É Manu, igualzinho. 
 -E foi por isso que o papai te bateu ? 
   Um nó se formou em minha garganta, eu não sabia o que responder, minha filha havia presenciado uma cena chocante, e só agora eu me dava conta do acontecido.
 -Não, ele fez isso porque tambem está perdido, você é muito nova para entender.
 -Sou adulta.
 -Uma adulta nova. 
  Ela riu.
  Parei o carro em frente ao condominio em que Sophia morava, esperei ser anunciada enquanto tentava limpar o sangue coagulado no canto de minha boca. O porteiro deu sinal positivo e eu adentrei.

 -Meu Deus Lua, o que aconteceu ? 
 -Brigamos. - Tentei controlar o choro - E agora não temos onde ficar. 
 -E o que é isto na sua boca ? Ele te..
 -Sim. Ele se descontrolou.
 -Como vocês chegaram a este ponto Lua? E agora, o que vai fazer ? Onde estam suas coisas ?
 -Deixei tudo para trás, touxe apenas umas roupas para ela - Apontei para Manu que brincava no Jardim- Um celular e 20 reais que estavam dentro da carteira.
 -Entre Lua, vamos pensar no que fazer. 
   Sempre contei com Sophia para tudo,eramos amigas desde a  adolescencia, quando me mudei para a cidade de  Butaphurt ela foi a unica que sempre demonstrou estar do meu lado. Nossos estilos eram diferentes, eu amava preto, caveiras, Rock, já ela despencava para as cores que estivessem na moda e rock era poluição sonora para seus sensiveis ouvidos. Apesar disso, sempre nos demos muito bem, principalmente após a descoberta da minha gravidez. 
 -Não quero voltar para aquele hospital Soh, não quero mais ver Bernardo na minha frente.
 -E agora ?Vai ficar desempregada ?
 -Lembra aquele fax que eu recebi, de uma vaga em Lavinie ?  Estou pensando em aceitar . Tenho que ir até lá resolver tudo, mas não tenho onde ficar. 
 -Bom, se meus pais tivessem alguma propriedade desocupada lá, eu com certeza arrumaria para voce, mas todas estão alugadas. Não tem nenhum amigo lá ?
 -Uuun, não sei, faz tanto tempo- Fiz força para me lembrar - Ah sim, tem o Arthur.

  Arthur..meu grande amigo da antiga cidade . Um garoto que andava de skate, usava Vans e alargador.Nos juntavamos atrás do colégio para beber, saudade daquele tempo em que faziamos coisas erradas sem nos preocupar com  as consequencias. Lembro-me que as meninas babavam por ele, e eu sinceramente nunca entendi o por quê. Tinha 12 anos e ele 15 quando precisei me mudar. 

~Flash back ON ~

 -E ai, seus pais já decidiram se você vai se mudar ?
 -Unhum, vamos em dois dias. - Falei com a voz fraca.
 -Qual é Lua, não fica assim, você vai sair desse fim de mundo para uma cidade grande.Se anima. 
 -Não dá, não vou me adaptar lá, eu quero ficar aqui.
 -Tente ser menos estranha lá, você vai ver que vai dar tudo certo.
 -Não sou estranha.
 -É sim.
 -Não ligo para o que você pensa .Não vou mudar.
Ele riu.
 -Escuta, eu prometo que vou te visitar. Mas tem uma condição.
 -Que condição ? - Ergui uma sobrancelha.
 -Quando eu for, quero que você me arrume alguma amiga.
 -Pra que ? 
 -Para eu ler um livro com ela - Ironizou. 
 -Menos Mal.
 -Aaah  criancinha inocente - Me fez cócegas.
 -Para Arthur, idiota. 
 -Tá, vou parar, mas só vou parar porque tenho um compromisso agora.
 -Para onde você vai ?
 -Marquei de ficar com a Rayanna .- Se gabou.
 -Credo, que nojo, ainda bem que eu tô me mudando, não quero me infectar com voce. 
 -Hahahaha, muito engraçadinha - Balançou a  cabeça. - Acho que temos que nos despedir. -   Encarou a  grama.
 -E como se faz isso ?
 -Bom, tem varias formas, mas acho que tem que ser algo que fique marcado em nós para sempre.
 -Tipo o que ?
 - Tipo isso. - Falou enquanto me puxava para selar nossos lábios.
  Uma experiencia nova para mim, não sabia ao certo o que fazer, tambem não sabia que existia lingua no meio. Quando treinava com a laranja ela não tinha uma. Me afastei de Arthur e o olhei nos olhos. 
 -Por que voce fez isso ?
 -Para você não se esquecer de mim quando encontrar outros amigos.
 -Isso foi nojento sabia ? - Cuspi.
 -Espero que esta mudança te ajude a crescer. - Negativou com a cabeça e pegou o skate. 
 -Calma Arthur - Segurei em seus ombros - Vou sentir saudades.
 -Eu tambem tampinha. - Me abraçou enquanto eu me deixava chorar em seus braços.
 -Para!Você é forte,não pode ficar chorando por ai - Limpou minhas lagrimas. - Promete que nunca mais vou te ver chorar ?
 -Unhum.
 -Prometa Lua.
 -Prometo. - Sorri. - Adeus Arthur. 
 -Até breve Lua. - Pegou o Skate e saiu pelas ruas me deixando com meus pensamentos em um futuro incerto e amedrontador. 

~Flash back OFF~

  -E você tem algum contato com este tal Arthur ?
  -Não, faz muito tempo que não nos falamos, você tem alguma lista telefonica aqui ?
  -Tenho, espera que eu vou buscar.- Se levantou da cama e saiu de seu quarto, olhei para Manuelle que havia adormecido e sorri involuntariamente. 
 Após uns 5 minutos Sophia voltou com uma enorme lista nas mãos. 
  -Qual o sobrenome dele ?
  -Puts, agora complicou. 
  -Pensa um pouco Lua.
  -Acho que era...A..Agui.. Ah sim, Aguiar, Arthur Aguiar. Procura ai. 

  Sophia depositou a lista sobre a cama e começou a folhear as primeiras paginas.

 -Uun, Arthur Abide..Arthur Acoli...Arthur ...Arthur.. Aqui! - Exclamou enquanto eu aproximava a vista do livro. - Arthur Aguiar, Cidade de Lavinie.
 -É ele. Espera, onde tem um papel e uma caneta aqui ?
 -Ali- Apontou para cima de sua comoda. Peguei ambos e os entreguei a Sophia para que ela anotasse o endereço. 
 -Pega o numero do telefone, vou ligar.
 -Tá, liga daqui de casa mesmo, o telefone está ali no criado mudo. 
  Me levantei e peguei o aparelho.
 -Qual o numero ?
 -Me da aqui que eu digito pra você.
 Sophia pressionou os botões e aproximou o telefone do ouvido.
 -Toma, está chamando.
 -E o que eu vou falar?
 -Fala o que aconteceu e pede pra ficar la um tempo.


                                  


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