segunda-feira, 8 de outubro de 2012
A graça da espera.
Uma vez li em algum lugar que nada que se consegue fácil, tem graça.
Ora, convenhamos, graça tem e é até bem divertido quando, ao menor sinal de espera, algo cai em nossas mãos sem fazermos nenhum esforço.
Sei que o exemplo que darei nas linhas que se seguem, pode parecer vazio ou superficial, mas vamos lá, deixar-nos voltar ao tempo em que nossa mãe voltava com sacolas do supermercado, e saltitantes a abordávamos com sorriso no rosto e a pergunta na ponta da língua: ''O que trouxe pra mim ? ''.
Com o mesmo sorriso ela , após retirar alguns legumes e alimentos em conserva, puxava algum brinquedo ainda embalado e o chacoalhava no ar dizendo a típica frase: '' Trouxe um brinquedo, mas você nem está merecendo ''.
É , se levar em consideração este fato, a cima narrado , tenho certeza que gostava sim de receber as coisas de mão beijada.
O caso é que, chega uma hora em que todos começam a ir no mercado por conta própria, compra o que mais gosta e presenteia a sim mesmo, há algo no passar do tempo , que nos faz achar imaturo ficar simplesmente esperando alguem chegar com a sacola cheia e despeja-la sobre nosso colo, se continuassímos neste dilema, nos assemelharíamos aos cães, que esperam pela chegada do dono, para encher-lhe a vazia.
Ah, os cães, nobres animais , eles sim, tem o deleite de poderem para sempre esperar, enquanto nós, trocamos os dias em que o sono teima em não abandonar-nos , para ganhar nosso próprio dinheiro.
Não há garaça em viver de espera, mas convenhamos que ganhar, sem ao menos esperar, nunca deixou de ser gostoso.
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